Boa noite, querido!
Que boca clara e bela,
No quarto escuro e oculto,
Minha barba revela!
Grita o grande silêncio
Enquanto bem mergulho
Em ti, salaz tramela
Beijos fazem barulho...
Verde gosto de menta,
Comeste alguma trufa?
Faminto volta e foge
Folga o fôlego e estufa!
Tudo preto e sem luz
Mas segue certa à trilha
Em Sol, em fogo, em lava
Tua língua que brilha...
Já toquei os quadris,
Caí edaz insano
Ao tronco louvo e falo
Neste quarto profano...
Abre a fresta, querido!
E deixa a dama Lua
Jorrar fulgor feliz
Tua carne acentua...
Lua, o quarto cintila
Que o meu amante efebo
De Lua não precisa,
Ele chama-se Febo!
Boa noite, querido!
Estende azul lençol
Dormir queremos, vamos,
Logo chega o arrebol...
Boa aurora, bandido!
Viril acordo e vivo
Se dia, não me importa,
Não levanta, cativo!
Volta, volta, animal!
De novo assaz consome,
À cama ordeno: Vem,
Santa hedônica fome!